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Como se fosse fácil
Segunda sexta-feira que eu passo sozinha e termino na frente do computador. Odeio! Por que comigo é só para reclamar? Será que o encanto acabou? Não posso nem imaginar, mas é a única coisa que me vem à cabeça. Não é possível. Ninguém faz isso com alguém que gosta. Um ano e sete meses no ralo, assim? Sem mais nem menos?
Sei que eu também sou difícil. Mas, é como se fosse fácil passar a semana toda ouvindo reclamações, esperando chegar o glorioso final de semana, para que os ventos mudem. Como se fosse fácil ser ignorada. Como se fosse fácil aceitar uma segunda posição, esperando o dia de subir o degrau.
Escrito por vanessagomesdelima às 22h33
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Carta para Renata
São Paulo, 17 de janeiro de 2007.
“Tempo, tempo, mano velho,
falta um tempo ainda eu sei
pra você correr macio.”
Renata,
Sei que você está passando por um momento um pouco delicado e escrevo para tentar expressar minha opinião - se é que ela é mesmo necessária - sobre o assunto. Em primeiro lugar eu queria te dar parabéns por esse ano que passou. Eu sempre achei que trabalhar e se dedicar ao cursinho não eram atividades compatíveis. Você conseguiu levar isso até o fim, mesmo sem ter sido obrigada a fazer isso.
O fato de você não ter passado no vestibular da USP e da Cásper é difícil. Mas lembre-se, você ainda tem a UNESP e a esperança é a última que morre. Vai saber se não deu certo? Imagino que deva ser muito complicada a sensação de pensar que você ‘perdeu mais um ano da sua vida’. Mas acho que essa frase não condiz ao todo com a realidade. Você não perdeu mais um ano. Você ganhou. Ganhou mais tempo para pensar no que você realmente quer da vida. Acho uma injustiça termos que tomar uma decisão tão importante e que afetará o resto de nossos dias aos 17 ou 18 anos, quando somos ainda totalmente inexperientes. Aquelas duas questões, que você nem errou por não saber, mas por nervosismo e que pareciam as perguntas que acabaram com o seu dia, o seu mês e o seu ano, podem, sim, ter tido uma relevância ímpar, mas positivamente. Em minha opinião, coisas desse tipo não acontecem por acaso. Talvez, se você as tivesse acertado, entrasse em um curso que não é de verdade o que você quer para si. Talvez, se você tivesse acertado, não teríamos condições de pagar por tanto tempo duas mensalidades de faculdade e uma de nós tivesse que, de qualquer forma, sacrificar um ano. Talvez, não era hora. Tudo tem seu momento certo para acontecer. As flores desabrocham em uma época certa, os bebês nascem na hora certa e cada ser humano morre na hora exata em que deve deixar de existir. Por que então você teria de atropelar o tempo? Justo ele, controlado por Deus, que sabe exatamente o momento exato de tudo? E tem mais... Entrar na faculdade não é a coisa mais importante do mundo, nem das carreiras. Apesar de ser extremamente necessário em algum ponto da vida. O bom é saber que você não está parada, que você tem um emprego e que, de uma maneira ou outra, está adquirindo experiências profissionais e aprendendo a se comportar em um ambiente de trabalho, coisa que muitos universitários na reta final de seus cursos ainda não conhecem. O bom é que você tem e continua desenvolvendo outras qualidades primordiais para a carreira de qualquer bom profissional. Você tem jeito com as pessoas, você sabe como fazer e manter um networking – contatos, você sabe como se comunicar com pessoas de diversos níveis. Isso também conta muitos pontos, pode acreditar.
Amadureça as idéias e aproveite esse ano para crescer, se conhecer e entender o que você quer de você mesma. Aproveite para achar o seu caminho.
O Rafa deu uma idéia ótima: guardar dinheiro nesses seis primeiros meses do ano para, na outra metade, fazer um intensivo, pagar você mesma para não ter que sofrer pressões que certamente vão acontecer – mesmo não sendo de maldade - de terceiras pessoas, aprender a viver sua independência financeira. Nada melhor como você mesma cobrando você mesma em uma situação como essa. Mas não sei, pense bem no que vai fazer e apenas faça. O que não se pode é ficar parado, esperando as coisas caírem do céu. Por isso, aproveite seu tempo e se descubra. Descubra o que quer para você. E se precisar de qualquer coisa, mesmo que seja um simples abraço, pode contar comigo. Vou estar sempre do seu lado.
Beijos de quem te ama muito,
Vanessa
Escrito por vanessagomesdelima às 11h55
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A primeira análisa a gente nunca esquece
A primeira análise. Credo. Nunca achei que eu chegaria a esse ponto, muito menos aos 20 anos de idade. Eu costumava pensar que análise era só para loucos, para mal resolvidos psicologicamente ou para pessoas 'frescas' demais. Das duas uma: ou eu me encaixo em uma dessas categorias ou há outros motivos para deitar no divã. Aliás, será mesmo que vai ter um divã me esperando? Daqueles no estilo Freud? Hum, não sei... Vamos conferir para ver se isso vai mesmo dar certo.
Escrito por vanessagomesdelima às 11h10
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